Pateira
Sábado, Julho 30, 2005
Sexta-feira, Julho 29, 2005
Gestão: Marketing

Geralmente associa-se a palavra "marketing" a publicidade ou promoção de um produto, serviço ou ideia. Nada mais redutor...
Um dos grandes especialistas do marketing moderno (há quem lhe chame o pai) é Philip Kotler Phd, professor de International Marketing na Kellogg Graduate School of Management, Northwestern University, que já publicou mais de 15 livros, entre eles o prestigiado "Marketing Management".
Neste livro, Kotler dá várias definições, mas talvez a mais completa seja aquela que define a gestão do marketing:
"é a análise, o planeamento, a implementação e o controle de programas destinados a criar e manter trocas mútuas e benéficas com mercados-alvo com o propósito de se atingirem os objectivos empresariais. O marketing baseia-se numa análise disciplinada das necessidades, desejos e querer, percepções e preferências de alvos/públicos para a eficaz concepção e desenho de produtos, política de preços, comunicação e distribuição"
Complicado? O mesmo autor com outra definição enraizada no comportamento humano:
"Marketing é a actividade humana direccionada para a satisfacção de necessidades e desejos através de processos de trocas"
Outro guru da gestão, Peter Drucker, outra definição:
"Marketing é todo o negócio visto em função do seu objectivo final, isto é, visto pelos olhos do Cliente"
Arte Poética

Vicente Huidobro, Chile (1893-1948)
Que el verso sea como una llave
Que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando;
Cuanto miren los ojos creado sea,
Y el alma del oyente quede temblando.
Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra;
El adjetivo, cuando no da vida, mata.
Estamos en el ciclo de los nervios.
El músculo cuelga,
Como recuerdo, en los museos;
Mas no por eso tenemos menos fuerza:
El vigor verdadero
Reside en la cabeza.
Por qué cantáis la rosa, ¡oh Poetas!
Hacedla florecer en el poema ;
Sólo para nosotros
Viven todas las cosas bajo el Sol.
El Poeta es un pequeño Dios.
Quinta-feira, Julho 28, 2005
Na Farmácia 3

- Bom dia, tem gotas para os olhos?
- V.Exa. sofre de perturbações na visão?
- Vejo tudo em tons de vermelho.
- E o seu médico, o que é que lhe disse?
- Disse-me que é doença profissional.
- Como assim?
- É que eu sou correspondente, no Continente, de jornais da Madeira.
Candidatos
Parece desenhar-se em definitivo a grelha de partida para as próximas presidenciais.Os analistas começam a puxar as brasas às respectivas sardinhas. Nada de novo, isto cansa!
Nos partidos, nada de novo: a direita terá um candidato, como é hábito; o PS outro, como é hábito; O PC e o BE terão um, cada, como é hábito; o CDS, bem, muito obrigado. Isto cansa!
No final, ficam 2; o da direita, com o rótulo de sempre: conservador e neoliberal com vontade de estralhaçar o governo de esquerda. Isto cansa!
E o da esquerda, com o rótulo de sempre: progressista e social-protector, garante da estabilidade do governo. Isto cansa!
Mas, no fim, são iguais. Porque é que haveriam de marcar diferença? Isto cansa!
Os candidatos (todos) são figuras já mais do que conhecidas; nada de novo, isto cansa!
Os problemas vão persistir, com mais ou menos guerras entre presidente e 1º ministro. Isto cansa!
A campanha, igual às anteriores, vai custar rios de dinheiro e nada de ideias inovadoras. Isto cansa!
Ou seja, nada se cria, tudo se transforma. Outra coisa não seria de esperar da classe política que temos.
Quarta-feira, Julho 27, 2005
O Calendário Maya

A civilização Maya foi uma das mais florescentes da Mesoamérica, desde há 40.000 a 70.000 anos.
Esta civilização produziu matemáticos, astrólogos, arquitectos, pintores, escultores, agricultores, artesãos, navegantes, comerciantes, etc. Os antigos Mayas vivian nas costas do golfo do México e do mar Caribe, numa extensão territorial aproximada de 325.000 Km2, tendo-se expandido para a América do Norte e América Central.
O Calendário foi o centro da vida Maya e a sua maior conquista cultural. O conhecimento ancestral do calendário guiava a existência do Maya a partir do seu nascimento e pouco da sua vida escapava à influência calendárica. Em poucas palavras, o mundo Maya girava em redor do calendário, que era o seu centro.
O fascínio pelo cosmos levou os Mayas a uma observação sistemática dos astros e dos planetas e a construir calendários solares e lunares com uma precisão assombrosa, calculando o tempo que a Terra demora a dar a volta ao Sol, com precisão de milésimas de diferença face aos cálculos da ciência actual.
Foram também a primeira civilização a fixar uma data para o início da sua história: 3.113 AC
Os Mayas também fizeram um registo dos dias transcorridos a partir de uma data que designaram por era maya actual. Este registo é a denominada "Conta Larga" ou "Série Inicial".
De acordo com estudos científicos, a Conta Larga tem o seu início a 13 de Agosto de 3.114 AC do calendário Gregoriano.
Os calendários Maya são:
- O Calendário Solar ou Civil, também chamado de Haab, baseado no percurso da Terra à volta do Sol em 365 dias. Este calendário divide o ano em 18 "meses" chamados Winal de 20 dias cada mais os 5 dias restantes denominados Wayeb. Cada dia é escrito usando um número do o ao 19 e um nome do Winal representado por um glifo, com excepção dos dias do Wayeb que são acompanhados de números de 0 a 4
- O Calendario Ritual-Mágico-Sagrado ou Tzolkin: de 20 dias Solares con os seus nomes própios e glifos, que representam os dez dedos das mão e os dez dedos dos pés.
PS. Para quem não reparou, é de salientar a utilização, pelos Mayas, do número zero, novecentos anos antes dos Árabes o introduzirem na Europa. Isto é demonstrativo dum profundo conhecimento da Matemática.
Terça-feira, Julho 26, 2005
Hebdomadário "O Otimista" - Nr. 30
Confirmados os novos projectos da Ota e do TGV"Ministro da Economia afirma que estes projectos são para realizar"
Em palestra realizada na Ordem dos Economistas, Manuel Pinho reafirmou a necessidade de Portugal pôr mãos à obra na feitura da Ota e do TGV, os dois emblemáticos investimentos que alavancarão o desenvolvimento do País.
Duas novas portas de saída se abrirão, assim, para escoamento de muitos políticos e afins. O TGV com destino às terras geladas da Finlândia e a Ota para as paradisíacas e quentes praias da Guiné-Bissau.
Luís Campos e Cunha em comentário "off the record" feito a este hebdomadário disse que deveria ser o próprio Manuel Pinho a inaugurar a Ota, mesmo que, à data da conclusão da obra seja de prever que o actual ministro se desloque em cadeira de rodas.
Qunato ao TGV e dada a sua maior capacidade de transporte, Campos e Cunha recomenda que, para rentabilizar a linha, toda a tralha seja chamada para embarque imediato, mantendo-se assim, as nossas praias limpas e livres de poluição.
Gestão: Benchmarking

Benchmarking é o processo de determinar quem é o melhor, aquele que estabelece o padrão/excelência e o que essa excelência é. No nosso futebol, se o Porto é seis vezes consecutivas campeão nacional, torna-se o benchmark.
Se quiséssemos determinar o benchmark "grandes conquistadores", que características ou variáveis iríamos medir para comparar Júlio César ao Infante D.Henrique ou Gengis Khan a Napoleão? Qual deles é o paradigma e porquê?
É exactamente isto que se faz em gestão. Qual é a empresa com a melhor organização de vendas? E qual aquela que tem o melhor departamento de pós-venda? A que tem as fábricas mais produtivas? Como medir o sucesso?
Uma vez tomada a decisão de fazer benchmarking e como medi-lo, o objectivo é descobrir que meios a empresa de sucesso utilizou e o que é que nós temos de fazer/alterar na nossa organização, para lá chegar.
Porque é que as empresas são, muitas vezes, compelidas a fazer benchmarking?
Porque se não se conhecem os "standards" a empresa não tem forma de comparar os seus dados internos. Nó após-venda de um dado produto electrónico, qual é a taxa média de avarias, em garantia; qual o tempo médio de reparação, qual o preço médio da hora/mão-de-obra?
Na área comercial, qual o nr. de clientes/vendedor, qual o nr. de visitas/dia, qual é a taxa de sucesso vs nr. de visitas, o valor/factura, linhas/produtos p/factura, etc.
Na produção, qual o output/hora, preço da energia por produto acabado, custo da manutenção de equipamento por output, taxa de rejeição de componentes, etc.
O benchmarking não é feito "copiando" o que o nosso mehor competidor faz. Uma empresa distribuidora de produtos pode fazer benchmarking a um produtor de serviços ou até, a um atelier de arquitectura; o que interessa é estudar métodos/processos e adaptá-los aos objectivos da nossa empresa.
Da mesma forma, os Estados podem (e devem) fazer benchmarking.
Geralmente, recorre-se ao benchmarking como uma peça fundamental da re-engenharia de processos ou, por exemplo, na implementação de um programa de melhoria de qualidade.
Segunda-feira, Julho 25, 2005
Lamento
Lamento que o Prof. Campos e Cunha já não seja o Ministro das Finanças deste Governo; porque era competente e tinha uma boa equipe.Lamento que o Prof. Campos e Cunha não seja um bom político, porque não soube lidar com os políticos.
Lamento que o 1º Ministro se tenha visto obrigado a mudar de ministro ao fim de 4 meses; porque estas falhas minam a credibilidade da liderança.
Lamento a falta de coesão deste Governo; porque quem sofre somos todos nós.
Lamento o eleitoralismo do Partido Socialista; porque não respeita o mandato que lhe foi outorgado.
Lamento a perda de credibilidade externa; porque do lado de lá aumenta a desconfiança e baixa a disponibilidade para ajudar.
Lamento o silêncio do Presidente da República; porque tem dois pesos e duas medidas.
O Português Ideal
Directamente dos USA, por mão amiga e nas malhas da net chegou o nosso DNA:
O português ideal:
$ Tem uma pensão de 1600 contos por mês;
$ Tem dois meses de férias como os juízes;
$ Reforma-se aos 57 anos como os enfermeiros;
$ Acumula um lugar de vogal na Fundação Luso-Americana com o seu emprego, como o dr. Vítor Constâncio;
$ Tem o sistema de saúde dos polícias;
$ Tem uma verruga mais uma dioptria no olho esquerdo, e mais outro achaque qualquer para chegar aos 80 por cento de deficiência, e quase não paga inpostos;
$ Tem a esposa na TAP e viaja com descontos;
$ Tem um pai militar e faz as compras na Manutenção Militar;
$ Tem a mãe médica e não paga consultas, ao abrigo do estatuto deontológico da Ordem dos Médicos;
$ E possui um cartão do PS e outro do PSD pelo que arranja sempre um «tacho».
Queiram verificar se possuem ou não algum(ns) dos genes acima indicados.
Os mais desfavorecidos, dirijam-se, por favor e com urgência, às sedes locais do PS e do PSD.
Domingo, Julho 24, 2005
Douglas Coupland, Geração X
Douglas Coupland é um jovem escritor canadiano pertencente à nova vaga dos escritores da América do Norte sendo este romance o seu primeiro e também aquele que o lançou no firmamento dos escritores da moda, do outro lado do Atlântico.Esta geração X (são três os personagens) é a geração-filha da década de sessenta e Coupland descreve-a como como uma espécie de negação dos valores correntes: família, religião, globalização e sociedade de consumo.
Os personagens são jovens de "boas e normais famílias" Americanas, com bom nível de educação/formação estando destinados ao sucesso nesta terra das oportunidades.
Ao invés, viram as costas ao "mainstream" e fixam-se no deserto californiano em busca de algo que desse significado às suas vidas. Aceitam empregos para os quais têm qualificação a mais - tipo rapariga do shopping ou atendedor de bar - para fugirem às responsabilidades e ao mesmo tempo poderem sobreviver.
Se descobrem ou não a tal razão de existir, só lendo o livro.
Por mim, só pelo grafismo inédito e pelas histórias que contam uns aos outros, vale a pena comprar o livro editado pela Teorema.
Sábado, Julho 23, 2005
Evasão Fiscal

- "Diz Francisco Fernandes o moço, do lugar de Fermentelos, termo da vila de Óis da Ribeira, rendeiro actual do Real de Água na dita vila e seu termo no presente ano de 1816, que Antão Fernandes Viegas, do sito lugar de Fermentelos, além de 15 almudes e uma pipa de vinho que manifestou do presente ano, desde o 1º de Janeiro até 23 de Março, meteu e vendeu mais, na sua taberna, 2 pipas de vinho e mais 20 almudes dele cujo vinho o suplicado ocultou e subtraiu ao manifesto a fim da não pagar ao suplicante o dito imposto. E porque o caso é de urgência, pretende o suplicante dá-la do suplicado e jurá-la, se necessário for e tomada que seja, se perguntem as testemunhas que protesta nomear no mesmo auto de denúncia.
Pelo que:
Despacho: "Tome-se-lhe e se proceda na conformidade da lei"
Prof. Artur N. Vidal in Fermentelos
P.S. A tradição ainda é o que era!
Sexta-feira, Julho 22, 2005
Quando o Mercado Fala...
Em recente entrevista ao semanário "Vida Económica", Emílio Sáenz director-geral da VW AutoEuropa, refere 5 contras ao investimento externo:- Legislação laboral demasiado rígida
- Portugal já não é um país de mão-de-obra barata (apenas e só quando comparado com a Alemanha)
- Legalizar uma empresa é muito complicado e há muita papelada
- As infra-estruturas básicas, como a rede eléctrica ou a rede de esgotos não são das melhores
- A formação dos recursos humanos ligada à indústria automóvel não é forte quando comparada com os países do Leste
"Em suma, o trabalhador português é produtivo desde que esteja motivado para o seu trabalho e que a empresa tenha uma organização magra [...] são receptivos e procuram soluções. Aqui não há separação entre management e sindicatos, há uma equipa conjunta que busca soluções"
É apenas a opinião de um gestor estrangeiro (embora de uma empresa de "peso"), mas quem contacta com "eles", sabe que isto é o mínimo que se pode dizer, no politicamente correcto.
E se eles (não me refiro a ninguém em particular, muito menos ao Sr. Sáenz , que não conheço) têm capacidade de analizar os nossos recursos humanos, também fazem juízos sobre outros grupos - os dirigentes -. E aqui, em termos de competitividade, temos muita má moeda...
Gestão: o que é um Cluster?

Porque me apercebi que na "blogosfera nacional" o tema da gestão é inexistente ou residual, decidi deixar algumas notas para aqueles que possam ter alguma curiosidade (ou vocação) sobre estas matérias.
A noção de "clusters" ou "clustering" foi introduzida por Michael Porter no seu famoso livro, "The Competitive Advantage of Nations" publicado em 1990.
Michael E. Porter PhD, é professor catedrático do Institute for Strategy and Competitiveness da Harvard Business School, sendo uma destacada autoridade em estratégia competitiva e competitividade internacional. Já publicou 16 livros e mais de 60 artigos.
O livro de Porter introduz o conceito do "Diamante" uma ideia inovadora que permite compreender a importância competitiva da localização geográfica e da colaboração para a concorrência global.
Os clusters são federações ou conjuntos de empresas interligadas e agindo em colaboração (tais como fornecedores, clientes, indústrias) que estão implantadas numa determinada área geográfica. É um modo de actuar essencial para que as empresas compreendam não só a economia local e a global, mas também descubram o seu posicionamento competitivo.
De acordo com Porter, o clustering melhora a produtividade, permite o crescimento, incentiva a inovação e ajuda as pessoas e as empresas a descobrirem novos modelos de negócios.
Um exemplo que poderemos apontar em Portugal é o da Auto Europa localizada na região de Palmela, que poderíamos designar como um cluster do sector automóvel, liderado pela fábrica da Volkswagen.
Podemos agora entender a sugestão do Prof. Luís Todo Bom quando, recentemente e a propósito das Grandes Opções do Plano, falou na possibilidade da criação de um cluster da água; porquê e para quê?
Porque os investimentos previstos neste sector são avultados, irão decorrer num prazo médio/longo de tempo, requerem estudos, investigação, utilização de novas tecnologias, etc. Daqui podem nascer empresas altamente especializadas em várias sub-áreas e todo este know-how que deverá ser adquirido é uma vantagem competitiva que nos permitirá exportar serviços e produtos para mercados emergentes (América Latina e Palops) que forçosamente se depararão com a necessidade de gerir este bem precioso: a água.
Quinta-feira, Julho 21, 2005
César Vallejo, poeta universal
Hay un lugar que yo me sé
en este mundo, nada menos,
adonde nunca llegaremos.
Donde, aún sin nuestro pie
llegase a dar por un instante
será, en verdad, como no estarse.
Es ese un sitio que se ve
a cada rato en esta vida,
andando, andando de uno en fila.
Más acá de mí mismo y de
mi par de yemas, lo he entrevisto
siempre lejos de los destinos.
Ya podéis iros a pie
o a puro sentimiento en pelo,
que a él no arriban ni los sellos.
El horizonte color té
se muere por colonizarle
para su gran Cualquieraparte.
Mas el lugar que yo me sé,
en este mundo, nada menos,
hombreado va con los reversos.
-Cerrad aquella puerta que
está entreabierta en las entrañas
de ese espejo. -¿Esta? - No; su hermana.
-No se puede cerrar. No se
puede llegar nunca a aquel sitio
-do van en rama los pestillos.
Tal es el lugar que yo me sé.
TRILCE de César Vallejo, poeta Peruano
O Azteca Cuauhtemoc

(1496 - 1525)
Décimo primeiro soberano azteca, o seu nome significa "Águia que caiu". Nasceu por volta do ano de 1496 e seria o último imperador azteca. Com ele acabou a dinastia fundada em 1376 por Acamapichtli. Cuauhtémoc, filho de Ahuízotl, ocupou o trono de Tenochtitlán (nome azteca da Cidade do México) pela morte de Cuitláhuac, irmão e sucessor de Moctezuma (ambos tios de Cuauhtémoc). Escolheu para rainha a jovem princesa Tecuichpoch, filha de Moctezuma e da rainha Teotlacho.
Cuauhtémoc foi enforcado por Cortez na madrugada de 28 de Fevereiro de 1525, acusado de traição, quando se encontrava ao seu serviço, numa expedição às Honduras. Deixou um filho de nome Diego Mendoza de Austria Moctezuma. O seu grande império estava dividido internamente, porque entre muitos dos seus nobres havia descontentamento pelos tributos que tinham de pagar a Tenochtitlán, por isso, muitos deles se aliaram aos espanhóis, na esperança de que, uma vez derrotado Cuauhtémoc, acabaria todo o tributo e vassalagem.
Quarta-feira, Julho 20, 2005
Tupac Amaru
José Gabriel Condorcanqui era descendente do inca Felipe Tupac Amaru que teria sido "justiçado" em 1579. Estudou com os jesuitas na cidade de Cuzco e foi nomeado cacique das regiões de Tungasuca, Pampamarca e Suramaná.Os elevados impostos e as novas expropriações de terras realizadas com a chegada do vice-rei Agustín Jáuregui fizeram com que Condorcanqui liderasse em 1780 uma insurrecção de índios e mestiços, uma das revoltas más importantes da época colonial espanhola. Fez-se proclamar Inca adoptando o nome de Tupac Amaru, assessinando o corregedor de Tinta, Antonio Arriaga e derrotando as tropas espanholas em Sangarara. O passo seguinte seria pôr cerco à cidade de Cuzco, mas foi derrotado por Gabriel de Avilés em 1781, graças aos reforços recebidos desde Lima e à ajuda do cacique Pumacahua. Tupac Amaru foi feito prisioneiro e executado em Cuzco logo após a execução da sua mulher, do seu filho, cunhado e da cacica de Acos. O movimento independentista no Alto Peru continuaria durante mais dois anos com a luta desenvolvida pelos irmãos Catari.
A revolta de Tupac Amaru, embora sufocada, serviu para que os ministros de Carlos III modificassem os abusivos impostos sobre os indígenas e acabassem com as expropriações de terras.
Terça-feira, Julho 19, 2005
Campos e Cunha explica má produtividade do investimento
"O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, justificou terça-feira (hoje) no Parlamento a má produtividade do investimento português nos últimos anos com a queda das taxas de juro e com a abundância dos fundos estruturais".Isto é, é mau para os investidores Portugueses (quer do sector público, quer do sector privado) haver dinheiro para investir e, ainda por cima, com baixas taxas de juro!
MAS ISTO TEM ALGUMA LÓGICA???
Está explicado o artigo do Público...
Sobre as GOP (Grandes Opções do Plano) o próprio ministro reconhece que o documento peca por falta de quantificações, detalhe e integração horizontal de políticas. Mais: "não são mobilizadoras".
Sobre isto, é melhor agora, um artigo, para explicar...
Bom, não me peçam para fazer humor...
Com esta concorrência...
Hebdomadário "O Otimista" - Nr. 29
Salários em Portugal, em alta."Trabalhadores portugueses entre os mais bem pagos da CE"
De acordo com a última edição do nosso colega "Expresso", os salários dos trabalhadores portugueses estão em alta.
Dando como exemplo o caso de uma das empresas mais emblemáticas, o Expresso refere que há retribuições que têm tido aumentos exponenciais nos últimos 3 anos devido à "pressão" exercida pelo mercado do trabalho em Portugal, na procura de talentos.
Este aumento da procura, certamente ligado ao crescimento do PIB (em ascenção livre) tem levado a que, nomeadamente na empresa referida, especialistas em marketing sejam contratados para exercerem funções na área financeira, ao passo que os licenciados em economia são colocados em áreas tão sensíveis como o economato e a gestão de frotas.
No sentido de pôr algum travão neste acelerado crescimento, presidentes de instituições bancárias já estão a propor baixas na ordem dos 10%, evitando-se assim a contratação de mais canalizadores polacos.
Atahuallpa, o Inca
Pouco antes da sua morte, o Inca Huayna Capac dividiu os seus territórios entre o seu primogénito Huáscar, a quem legou o correspondente à parte sul do império, e Atahuallpa, a quem coube o domínio da região norte. Embora parecesse que, em princípio, a divisão tinha sido aceite por ambos, por volta de 1530 começou uma feroz luta civil pelo controlo da totalidade do Tawantinsuyo. Do lado de Atahualpa estava o poderoso exército imperial, aquartelado na região norte do Império, chefiado pelos experimentados generais Chacuchima, Kizkiz e Ruminhahui.O início da guerra dá-se em Tomebamba, um lugar estratégico no qual Atahuallpa se dedicara à construção de edifícios e monumentos. As hostilidades levaram a vitórias de um e outro lado, com grande equílibrio de ambas as partes. Atahuallpa foi, a determinado ponto, feito prisioneiro, recuperando a liberdade e iniciando a ocupação da região meridional do Imperio. O equilíbrio de forças induziu em Atahuallpa a ideia de dominar todo o Imperio e derrotar Huáscar; este, por sua vez, conhecedor das ideais do rival, apressou-se a fortalecer o seu exército predispondo-se a preparar a defesa da capital, Cuzco. A grande batalha teve lugar em Cotabamba, junto ao rio Apurimac, e foi favorável a Huáscar no primeiro dia, muito embora no segundo, o general Chacuchima conseguisse inflingir uma pesada derrota ao inimigo, fazer prisioneiro a Huáscar e tomar Cuzco.
Entretanto Atahuallpa, desde Cajamarca, faltou às promesas feitas aos seu generais e população e ordenou o assassinato de todos os membros da familia de Huáscar, antecipando assim, uma futura revolta. É neste contexto que aparece Pizarro, conhecedor da situação, na expectativa de aprisionar Atahuallpa, decapitando, de vez, o estado imperial. Assim, decide marchar sobre Cajamarca, entrando na cidade a 15 de novembro de 1532, enquanto Atahuallpa esperava, acampado nas redondezas, com um exército calulado entre 40.000 a 80.000 soldados. Houve um intercâmbio de embaixadas, acedendo o Inca a encontrar-se na cidade com Pizarro, caindo assim na armadilha que este lhe preparara. Ainda não bem ciente da nova situação, Atahuallpa, mesmo preso, ordena o asassinato de Huáscar e o pagamento de um resgate pela sua libertação dos espanhóis, com o que pensava poder recuperar a sua liberdade e exercer o seu poder já sem qualquer oposição. O resgate foi fixado numa quantidade indeterminada de ouro, capaz de encher a sua cela até à altura de um homem, e pode-se cumprir ràpidamente, ao chegarem objectos de todos os pontos do Império. Pese o facto do pagamento ter sido feito, os espanhóis não cumpriram a promessa e Atahuallpa foi julgado por crimes em parte forjados, cujo objectivo era eliminar a cabeça do Imperio, facilitando a sua queda.
Eliminado Atahuallpa, a luta contra os espanhóis continuou com a resistência do general Ramihahui, em Quito, e de Apu Kizkiz, em Cuzco, ambas esmagadas. Os espanhóis ainda tentaram aproveitar-se da estrutura estatal, nomeando um soberano fantoche na pessoa de Tupac Huallpa, irmão de Huáscar e filho do Inca Huayna Capac. A resistência dos incas continuaria ainda durante várias décadas, com as revoltas fracasadas de Tisoc, Manco Inca, Sayry Túpac, Tito Cusi e Túpac Amaru, este último decapitado pelos espanhóis, quarenta anos depois da sua chegada.
A resistência ainda protagonizaria novos episódios nos séculos XVII e XVIII, sendo o mais importante o de Túpac Amaru en 1780, sempre com o objetivo, nunca alcançado, de restaurar o antigo império do Tawantinsuyo.
Segunda-feira, Julho 18, 2005
Bodega de Socialismo
"El que tiene tienda que la atienda o la venda, y si no le expropiamos la bodega"garantiu o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante uma emissão do programa "Aló Presidente".
Papéis na mão, o Presidente afirmou que umas 700 empresas permanecem fechadas no país, enquanto que outras 1.149 trabalham a "meio-gás". Hugo Chávez ofereceu aos proprietários de empresas financiamentos com juros baixos, na condição que dêem participação aos trabalhadores nos negócios.
Ói sr. presidente: e se os trabalhadores forem para a praia, como cá? Quem é que atende a bodega?
Dialogar
"A existência de uma discussão racional e produtiva é impossível, a menos que os participantes partilhem um contexto comum de pressupostos básicos ou, pelo menos, tenham acordado em semelhante contexto em vista da discussão"Karl Popper chamou a isto o mito do contexto, criticando a sua validade universal a propósito da defesa da ciência e da racionalidade.
Hoje em dia, e quando se discute a questão do terrorismo, há quem defenda que Popper tinha razão, pelo que é possível "dialogar" com os fundamentalistas islâmicos ligados à Al-Qaeda.
A minha posição é contrária. Já o disse a propósito do artigo do Pacheco Pereira que desmistifica as possíveis justificações dadas a este terrorismo: a questão da Palestina, a desigualdade, a pobreza, a globalização, etc. Se estas justificações tivessem algum cabimento, aí haveria lugar à existência de pressupostos básicos que pudessem ser objecto de discussão racional.
Mas não é assim: há, da parte da Al-Qaeda, um confronto claro e civilizacional que só pode ser resolvido pelo aniquilamento da outra parte: a sociedade ocidental e o seu conjunto de valores. Como é que se pode racionalizar sobre a nossa própria destruição? Impossível!
Popper admite que a história nos ensina que podemos ser confrontados, em alguns casos, com um fosso inultrapassável, admite ainda que, ambas as partes são abaladas pela experiência e aprendem algo de novo e cita Heódoto quando sugere que devemos olhar com tolerância, e até respeito para os costumes ou convenções que são diferentes dos nossos. Plenamente de acordo, isso é o que a nossa sociedade ocidental tem feito nos últimos anos (umas vezes melhor, outras pior) e até, diga-se em abono da verdade, temos muitas e boas lições a retirar da nossa própria história no que se refere à tolerância do Islão para com a tradição e os costumes judaico-cristãos.
Não se deve pôr de parte a necessidade de haver mais e melhor entendimento com a comunidade Muçulmana, ou outras - chamem-lhe ecumenismo ou negociação, tanto me faz -. Todos defendemos isso, porque reconhecemos que do aprofundamento do conhecimento mútuo se colhem vantagens. Agora, procurem uma única palavra que seja (já não falo nos actos) de entre as já milhares de páginas publicadas por estes terroristas e não encontrarão qualquer abertura/menção a diálogo ou negociação.
Antes pelo contrário, porque em tudo o que eles escreveram há racionalidade e objectividade: a sociedade ocidental é o satã que nos tem subjugado e está na hora da nossa vingança pelo aniquilamento, porque temos as armas para tal. Isto é, e eles nunca o esconderam, uma declaração de guerra.
E, mais uma vez dou a razão a JPP: ou nós, ou eles.
E é bom, em tempo de guerra, não nos esquecermos dos abutres; não são parte activa, mas, pela calada, beneficiam. E eles estão em ambos os territórios - pairam acima da carne morta...
Domingo, Julho 17, 2005
A Lenda de Naiguatá

Naiguatá, cacique (chefe índio) da etnia Caribe, tinha como hóspedes dois soldados do colonizador Rodríguez Suárez e um deles, querendo fazer gala dos seus dotes de caçador, feriu de morte uma gaivota, feito que encolerizou Naiguatá, exigindo este a execução do atirador. Como não obteve o consentimento de Rodríguez Suárez, tomou de assalto o acampamento dos soldados, aprisionando-os e condenando a morte o culpado. No momento da execução do réu, um bando de gaviotas apareceu nos céus. Naiguatá interpretou este facto como sendo o sinal de perdão das aves para com o agressor e decidiu libertá-lo.
Naiguatá viveu muitos anos e assistiu a muitas das mudanças culturais impostas pelo colonizador espanhol.
Naiguatá: Era da família dos índios Caribes e exercía o seu dominio ao longo da zona costeira que partía do rio Anare até às costas do actual estado venzuelano de Anzoátegui, no que hoje é a cidade de Puerto la Cruz. Naiguatá é hoje o nome de uma famosa estância balnear da Venezuela e é o nome do pico mais elevado (2.765m) da cordilheira do Ávila.
Sexta-feira, Julho 15, 2005
ALGURES, PERTO DE SI
Chamo a atenção para a leitura deste artigo de Pacheco Pereira já publicado no Público e hoje inserido no blogue ABRUPTO. Para lá chegarem, basta clicar no título.Trata da questão do terrorismo e, bàsicamente, subscrevo o conteúdo, muito embora - peço perdão ao autor - seja contra o "excesso" de retórica que, por vezes nos faz perder a visão do essencial. E o essencial aqui está vertido nas últimas palavras do artigo de JPP:
..."é de um simplicidade brutal. Ou nós ou eles."
Crónica do Amedrontado

E daquilo que hei de falar, começo que, naqueles tempos, cousas de espanto sucederam neste nobre reinado portucalense.
Pois todo los ministros d’el reino em bom recato nos seus ministeres se amesendavam mai los aparentados, e los parentes dos parentes, mai los amigados e na teta da vaca amencebados, servos e senhores de cousa alguma mas que o nosso bom povo habia, diziasse, escohido.
E tais cavaleiros e senhoras pelo senhor Duque do Barrosão eram mandados pois que assim o quizera el Senhor Nosso Rei, D. Sampaeo I, desde as Cortes Reais dous annos atraz habidas.
Forte destemperanza o senhor Duque do Barrosão a toda la nação causara pois dissera que houvera precisão de bragas pois que nem mourabitinos quedabam, desde que o seu antecessor, D. António do Guterro se perdera em pântano afundado, com grande espanto de todo o reinado.
Estavam pois todo los ministros folgando bem dispostos e galantes quando souberam que Dom Barrosão se queria ir às partes da Flandres queixando-se quao pouco ditoso fora em esta terra e determinando de nunca tornar a ella, pois que tudo lhe sucedia tão mal. E, enquanto formosa nau de um mercador grego aparelhava para levar o chefe do governo, já o alcaide-mor da capital em tomar seu assento cuidava.
E a senhora D. Manuela que, da fazenda do reino fazia sustentação, de grande furia se tomou, pois como sucede a todo los cornudos, fora a última a saber da determinação de D. Barrosão e depois da grande conjura de esforços do alcaide-mor.
E entre muitas falas que sobre a fuga do Duque do Barrosão se fizeram, foi dito por todos ou a maior parte, que seria muito bem. E nisto concordaram. Com consentimento também de Sua Alteza D. Sampaeo I, que muito folgara com a boa nova, segundo meu parecer
E depois cada um se foi para onde lhe pareceu que teria o remédio mais certo da vida e a pobre da D. Manuela mais o Marquês das Mentes tão desamparados ficaram que houve precisão de voto de castidade fazerem.
Contudo, o melhor fruto que desta história se pode tirar segundo o que a mim e a todos pareceu é que este reino falece de gente de talento que sirva os seus e por satisfação lhes façam mercê.
Quinta-feira, Julho 14, 2005
Anochecer en el Llano

la palmera engalana la silente llanura;
y en su lánguido ensueño, solitaria murmura
ante el sol moribundo sus congojas al río.
Encendida en el lampo que arrebola el vacío,
presintiendo las sombras, desfallece en la altura;
y sus flecos suspiran un rumor de ternura
cuando vienen las garzas por el cielo sombrío.
Naufragada en la niebla, sobre el turbio paisaje
la estremecen los besos de la brisa errabunda;
y al morir en sus frondas el lejano celaje,
se abandona al silencio de las noches más bellas,
y en el diáfano azogue de la linfa profunda
resplandece cargada de racimos de estrellas.
José Eustácio Rivera - Poeta Colombiano (1889 - 1928)
A Retribuição dos Cargos Públicos III
Para concluir / exemplificar:De entre um sem número de propostas possíveis, deixaria a seguinte: que a remuneração do cargo de Presidente da República fosse, pelo menos, 50% superior ao ordenado do governador do Banco de Portugal; se o valor assim obtido for muito superior ao do Presidente Francês, corrija-se o do BP. Ou seja, considero que o actual valor é ridículo e não vejo razão nenhuma para que não seja próximo dos ordenados dos outros presidentes da União Europeia.
A partir deste valor, calculem-se, pelas fórmulas actualmente existentes (mas, simplifiquem, porque mais transparente), os ordenados dos restantes, a saber: Primeiro Ministro, Presidente da AR, Presidente do STJ, Ministros, Secretários de Estado, Deputados, Governadores-Civis, Autarcas, e por aí fora - sem os habituais subterfúgios -.
Para além destes cargos, sou de opinião que aos líderes dos partidos representados na Assembleia da República seja atribuído um vencimento equivalente ao do cargo de Ministro da República.
Por razões que se prendem com a representatividade protocolar do Estado, aos PRs e PMs que cessem funções deverá ser atribuído um vencimento mensal, pelo menos equivalente ao de Deputado. Isto independentemente de os mesmos exercerem outro tipo de actividade; isto é, podem e devem acumular. Convenhamos que não é nada dignificante, para todos nós, o que se tem verifcado em alguns casos.
Só mais uma nota, em relação aos autarcas: fim a todo e qualquer tipo de acumulação, sobretudo em relação às empresas municipais e intermunicipais. O que é demais, cansa!
E para aqueles que acham esta proposta escandalosa e despesista, proponho a regra dos 10%:
- eliminem-se 10% dos deputados, ministérios, institutos, direcções gerais, governos civis, câmaras, juntas de freguesia, etc.
No final, tudo vai funcionar na mesma (senão, melhor) e a poupança será muito mais elevada do que se pode imaginar.
Tenho dito.
Quarta-feira, Julho 13, 2005
E-mail to: Isabel Pires de Lima
Exma. Senhora Ministra da Cultura,Soube, pela comunicação social, que a Fundação Gulbenkian, por razões de ordem financeira, decidiu encerrar as actividades do Ballet Gulbenkian.
Quero deixar-lhe claro que, embora amante da música, não aprecio o ballet, pelo que, para meu usufruto, nada lhe pedirei.
Portugal e todos nós temos uma enorme dívida para com a Fundação Gulbenkian. Ela é, por si, um baluarte da cultura Portuguesa, um elo de ligação com a nossa diáspora, um difusor da arte mundial, um mecenas da educação, da ciência e da investigação, enfim, um porto seguro para a nossa língua, tradição e legado cultural.
É também uma Entidade independente do Estado que soube sempre, mesmo no tempo da ditadura, afirmar-se como tal.
É um modelo de gestão e competência na prossecução da sua Missão.
Por tudo isto, não lhe peço, Senhora Ministra, que interfira na tomada de decisão da Fundação Gulbenkian. Aliás, pelo atrás exposto, concordará que tal tentativa estaria, à partida, condenada ao fracasso.
Peço-lhe, tão sòmente que, em nome dos Portugueses, coloque à disposição da Fundação Gulbenkian, os recursos de que o Estado dispõe, através do Ministério da Cultura ou directamente de outros cofres, para que a mesma, se assim o entender, prossiga com as actividades do Ballet Gulbenkian, livre dos actuais constrangimentos financeiros.
Julgo que, da minha parte seria um insulto à inteligência de V.Exa. aduzir quaisquer razões para este pedido. Apenas lhe exijo, como cidadão Português que cumpra o seu dever: zelar pela Nossa Cultura.
Queira aceitar os meus respeitosos cumprimentos.
Hebdomadário "O Otimista" - Nr. 28 (extra)
Bernard Ebbers antigo CEO da WorldCom setenciado a 25 anos de prisão por fraudeE se a moda pegasse por cá?
...o último a sair que feche a porta, please...
Hebdomadário "O Otimista" - Nr. 28
Exame nacional de Matemática do 9º ano"24.896 alunos com nota positiva"
Fontes do Ministério da Educação divulgaram o resultado do exame nacional de Matemática do 9º ano, tendo-se apurado o fantástico número de 24.896 - vinte e quatro mil oitocentos e noventa e seis! - alunos que obtiveram nota positiva.
As mesmas fontes revelaram à nossa redacção que estes resultados não constituem surpresa para os responsáveis do Ministério, pois são a prova de que o nosso ensino está a dar grandes passos em frente. Recordam ainda que, há pouco mais de 40 anos, estávamos a dois passos do abismo!
O jornalista Adelino Gomes comentando estes números, recordou que quando era aluno do 6º do liceu de Leiria, em 1962, as duas turmas existentes de letras e ciências se juntavam, na mesma sala, para as aulas de OPAN e Filosofia.
A Retribuição dos Cargos Públicos II
Passemos então aos finalmente:Do que eu aqui falo é das qualidades, isto é, dos cargos em si. As pessoas que os ocupam não são relevantes.
Não aceito o argumento de que a qualidade dos detentores dos cargos está directamente correlacionada com o montante do vencimento. Estamos a falar de "serviço público", não de carreiras profissionais. Quem assim opina, em público, esquece-se que também por lá passou. Naturalmente que, face à miséria dos actuais vencimentos, há lugar a esta simples pergunta: então o Sr. ou a Sra. pertencem ao grupo da má moeda?
O exercício de cargo público não deve interferir com a carreira profissional de quem o desempenha. Todos os direitos anteriormente adquiridos devem permanecer intactos, mesmo em prejuízo de sectores privados.
O sistema contributivo do titular do cargo deve manter-se inalterado.
Considero atentatório dos direitos dos cidadãos as chamadas incompatibilidades, isto é, que, pelo facto de se exercer uma determinada actividade privada não se possa exercer determinado cargo público. Isto porque vivemos num estado de direito; logo, quem prevaricar, deverá ater-se às consequências.
Considero vexatório e consequentemente disfuncional que, um detentor de cargo público seja constrangido a aceitar o facto de elementos da cadeia de comando abaixo de si e com menor grau de responsabilidade usufruam de vencimentos mais elevados do que o seu.
Os vencimentos de cargos públicos devem ser fixos, sem componente variável.
Po último, devem ser excluídos todos os "fringe benefits" que não digam respeito directamente ao exercício da função.
Terça-feira, Julho 12, 2005
O Gambuzino da Pateira

Se observarem, com muita atenção, a imagem acima publicada da Pateira, poderão, com alguma sorte, ver uma das espécies mais raras existentes em Portugal: o gambuzino.
Lamentàvelmente esta espécie está em vias de extinção e - viram? eu disse para olharem com muita atenção!! O gambuzino é muito veloz...e... acabou agora mesmo de passar um entre os canaviais que se vêm ao fundo, à direita. Imagem espectacular, sem dúvida!
Ora dizia eu que o gambuzino está quase a desaparecer e a este estado de coisas não é indiferente a actuação de vários Governos que nunca olharam para este problema com a devida atenção. Deviam acabar, desde já, com a chacina do "gambuzino ao saco", uma espécie de caçada medieval que não respeita os mais elementares direitos desta espécie, única na península ibérica.
Reordo-me de, ainda muito jovem, ter quase participado neste horrendo rito que se realiza, à noite, com recurso a lampiões e a sacos - naquele tempo de sisal, hoje talvez já de plástico, muito mais sufocante - sendo salvo, in extremis, por mão amiga.
Por isso, faço este apelo a todos os amigos do Gambuzino:
- Salvem o Gambuzino da Pateira! Que não se ouça mais o grito hediondo de "Gambuzinos ao Saco". Portugal não é só o Lince da Malcata!
A Retribuição dos Cargos Públicos I

Comecemos pelos considerandos:
Não sou parte interessada nesta matéria, nem vislumbro qualquer interesse futuro.
Concordo com as medidas que este Governo propôs, no sentido de introduzir alguma "moralização e transparência" na remuneração dos cargos políticos.
É surpreendente que o ora defunto "sistema", como diria o Dr. Dias da Cunha, tenha vigorado tanto tempo e com tantas "nuances".
É surpreendente que o Senhor Presidente da República que tanto tem pugnado pela dignificação da classe política portuguesa, sobre estas medidas nada tenha dito. Bem prega frei Tomás...
Acabemos os considerandos, perguntando:
Aceitamos que, pelo exercício da mais alta magistratura do País - a Presidência da República -, a retribuição seja, digamos um sexto - ou, até, um décimo - do salário de um gestor de topo?
Eu não aceito, porque acho que o meu país é parte integrante da "velha", mas prestigiada Europa. E, como tal, os seus mais altos cargos devem ter uma remuneração compatível com o estatuto da Nação (que não é de hoje, tem mais de oitocentos anos).
E isto sem demagogias, porque, no dia em que o Estado não puder pagar esses vencimentos, melhor será pedir aos legítimos herdeiros dos Filipes que tomem posse, de novo, deste baldio ocidental da península...
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Pintura Portuguesa 2

Artur Bual, 1926 - 1999
"Acredito que haja algo para além da morte, porque, antes de me conhecer, o mundo já era aquecido por outros homens"
Dos Estados...
Nem de propósito...Estado vai abrir funções sociais a privados, diz jornal
Vamos ver se estamos "sincronizados" com estas futuras alterações...
Orçamentação - 1742
Resumo do relatório do prior de Valongo ao inquérito ordenado pelo bispo de Coimbra sobre o rendimento anual expectável da igreja de Fermentelos em 1742:"Rende 52 mil reis os defuntos de ofícios grandes, sendo em média 5 por ano; rende os ofícios pequenos 18.000 reis, sendo 3 em média por ano; rende 4.000 reis dos defuntos filhos de famílias pobres, sendo dois por ano; rende os casamentos, 3 por ano, 1440 reis; rende os baptizados 1.920, sendo oito; rende as ementas em trigo em média a cruzado, 5.600 reis e em milho, a 200 reis cada alqueire, 1400 réis; o folar deve render 7.200; as missas do trigésimo rendem 320 reis; rende o milho da capela 10.400 reis; rende as falas dos defuntos 1.000 reis.
Rende, pois, o Pé de Altar de Formentelos 93.280 reis"
Prof. Artur Vidal in Fermentelos
Ora aqui está uma bela oportunidade para o actual Secretário de Estado do Orçamento, Manuel Baganha, fazer um pouco de benchmarking ao prior de Valongo, no cálculo das receitas para 2006. Mas, primeiro deveria verificar se os 93.280 reis estão bem somados ou não...senão lá vem rectificativo!
Domingo, Julho 10, 2005
A Mulher e a Ciência

"Constatei que, em todas as épocas documentadas pelos historiadores da ciência, a questão de Deus e da religião levantava a cabeça. Comecei a perceber que a efusão de reflexões teológicas que os físicos fazem hoje - toda a conversa sobre "a mente de Deus" e assim por diante - não era algo de novo, mas sim a mais recente manifestação de uma tradição milenar. A física, vim a perceber, sempre fora uma actividade semi-religiosa. [...]
O que eu comecei a constatar foi que, enquanto as mulheres tinham enfrentado imensos desafios em todas as ciências, a cultura "sacerdotal" da física servira como uma barreira adicional e muito poderosa. [...]
Assim como não estou a reivindicar que um impulso religioso é toda a raison d'être por detrás da fisica, não estou igualmente a reivindicar que ele é a única explicação para a desigualdade sexual vigente no campo. Como em todas as ciências, as mulheres enfrentam muitas barreiras ao fazerem carreira na física e o problema não pode ser reduzido a uma qualquer causa única. O que estou a reivindicar é que a milenar ligação entre a física e a religião estabeleceu poderosas ressonâncias psicológicas e culturais na nossa sociedade que contuinuam a servir como barreira às mulheres. Reconhecer esta barreira não é uma questão insignificante, pois a menos que compreendamos a inércia histórica das forças psicossociais, nunca conseguiremos superá-las"
Margaret Wertheim - As Calças de Pitágoras
Sexta-feira, Julho 08, 2005
Projecto de Negócio
Needs and Wants: Há uma crescente procura no mercado do "copy and paste" para vários fins: teses de Mestrado e Doutoramento, discursos políticos, discursos circunstanciais para CEOs, palestras temáticas, trabalhos de investigação para qualquer ramo, jornalistas, escritores, cursos de formação, TPCs, etc., etc.Produto: Software/Site para motor de busca na Net, por temas, com escolha de layout, língua, citações, etc., com elaboração de documento final, devidamente personalizado.
Mercado: Global, com especial incidência no mercado Português e Palops, se houver possibilidade de adquirir, no mercado, software pirateado complementar de tradução de Brasileiro para Português.
Denominação Social: Utilizar expressão anglo-saxónica "high-tech" tipo FASTRACK (ou, aportuguesando para os Palops, FAZ_TRAQUE)
Capital: Não é necessário, está à disposição na banca portuguesa, com taxa prime rate, por sugestão do Senhor Presidente da República.
Pricing: Bàsicamente 3 categorias: premium para Empresas, super premium para Políticos e afins e middle/low para estudantes, investigadores e oportunistas vários em princípio de carreira.
Marketing: Low profile, tipo boca-a-boca
Recursos Humanos: Pode-se encontrar quantidade mais do que suficiente de licenciados e afins, em software, nas praças de taxis portuguesas, sentados ao volante, à espera de clientes. Com alguma experiência, mas igualmente baratos, podem ser procurados nas multinacionais do ramo a operar em Portugal - no entanto, é conveniente esperar pelo respectivo aviso de deslocalização-.
Recuperação do Investimento: Pràticamente imediata, a matéria prima é de borla.
Modus Operandi: um CEO português paga umas coroas e é nomeado "guest speaker" de um dado clube de rotários ou associação de amizade; acede ao FASTRACK (FAZ_TRAQUE) com username e password pessoais, selecciona conferência, tema:globalização, acrescentar larachas sobre mercado português - digita sim ou não -, acrescenta anedota (selecciona tipo: Alentejanos, Loiras, Santana Lopes, etc), acrescenta ou não citações (economistas, filósofos, Xanana Gusmão, etc.), escolha de palete de cores, escolha de gráficos, duração do discurso (selecciona 15, 3o, 60 minutos ou Fidel Castro) e já está. O programa produz uma bela apresentação Power Point personalizada com logo da Empresa do CEO, etc., mais uma versão em PDF encriptada (para ninguém poder copiar) pronta a ser printada e distribuida à imprensa, aos participantes na conferência e aos Amigos e Familiares. O curriculum do CEO (está "embutido" no programa, em: perfil do utilizador) é automàticamente actualizado com mais esta importante conferência.
P.S. Cedo os direitos de autor deste projecto de negócio, à borla, pelo que já sabem: seleccionar o texto, fazer copy e, logo de seguida, paste para o vosso computador. Bons negócios
Do Estado Corporativo ao Estado das Corporações - V

...e acabemos este tema falando da nossa saúde.
Claro que compete a todos nós definir que tipo de sistema queremos - público, privado, misto - quem beneficia, em que circunstâncias, qual a ênfase dada à prevenção, qual o tipo de assistência à 3ª idade, etc, etc, etc.
Logo na própria tentativa de descrever o sistema se vê que a tarefa é de tal forma gigantesca e intrincada que não é possível cominar a um único grupo - os políticos - a respectiva resolução. Até porque a nossa realidade, nos últimos 30 anos é esta: muda o Governo, muda o enfoque, há ou não greves de médicos, enfermeiros...há problemas na definição do estatuto dos hospitais, há mais ou menos doentes em lista de espera, há problemas com a indústria farmacêutica ou com as farmácias e por aí fora. Dir-se-á, falta o tal pacto de regime. Se, por exemplo, PSD e PS concordassem nas linhas mestras, teríamos o problema resolvido, pena é nunca terem querido. Falso, porque a verdade é esta: não têm capacidade para tal!
Sem os actores, isto é, seguradoras, investigadores, investidores, economistas, médicos, enfermeiros, gestores, indústria farmacêutica e de equipamento hospitalar e respectiva distribuição, escolas, etc. a situação só vai piorar.
Não há outra solução que não seja, às claras, dar um papel de relevo a todos - ordens, sindicatos, associações empresarais, Escolas -.
E o que se entende por papel de relevo? Há um mínimo que seria um bom ponto de partida: ouvir, formalmente, as suas opiniões, registá-las e torná-las públicas. Seria um grande incómodo para alguns, mas de muito interesse e utilidade para todos nós.
Quinta-feira, Julho 07, 2005
Do Estado Corporativo ao Estado das Corporações - IV
...no prefácio do seu livro "Globalization and its Discontents", o Nobel da Economia, Joseph E. Stiglitz escreve: "Acredito que a globalização - a supressão dos entraves ao comércio livre e uma maior integração das economias nacionais - pode ser uma força benéfica e ter potencialidades para enriquecer toda a população mundial, em particular os pobres. Mas também estou convencido que, para tal, o modo como a globalização tem sido orientada tem de ser radicalmemnte repensado, nomeadamente os acordos comerciais internacionais, que tão importantes têm sido na supressão desses entraves, e as políticas impostas, no âmbito da globalização, aos países em desenvolvimento."Uma força benéfica, mal orientada por políticas impostas...tudo isto faz crer que os Estados não têm sabido lidar com este fenómeno que mais não é do que gerir interesses à escala planetária. Pois se nem com os"pequenos" interesses locais se tem sabido lidar...
As democracias e, sobretudo os políticos têm de rever as relações entre Estado e os interesses corporativos, sejam eles de elites profissionais ou de associações industriais ou outros . Não pode haver planeamento estratégico sem que os interesses corporativos estejam presentes, sem que haja "massa crítica" para a sua definição e correcta implementação. O Estado é detentor de uma grande riqueza em termos de informação e de recursos humanos; possui um grande potencial em termos de formação e possui recursos financeiros, para além de deter uma enorme riqueza em termos de bens tangíveis e intangíveis - por ex. o turismo: o seu potencial não depende só de bons investimentos; se não houver segurança e infraestruturas não há turistas -. Contudo, não basta, como se provou pelas experiências totalitárias praticadas no Leste Europeu.
A ideia de Salazar de que o Estado é a mola real da Economia e que só a ele, como representante do interesse geral, compete a definição do "rumo a dar à pátria" está definitivamente ultrapassada.
E isto é hoje assim, por paradoxal que possa parecer, exactamente pelos mesmos motivos invocados pelo ditador: produzir as políticas que melhor sirvam os cidadãos...
Quarta-feira, Julho 06, 2005
Na Farmácia 2
- Bom dia, tem PLADECOs?- Muito bom dia a V.Exa. Planos de Desenvolvimento da Economia, com certeza! Mas, eu não conheço V.Exa. de algum lugar?
- Não, não conhece. Levo um, mas garantido, se faz favor.
- Temos um que vem nesta linda caixa de Pinho... queira V.Exa. verificar.
- Mas, isto é velho! Está gasto!
- Gasto, não! Saiba V.Exa. que nunca foi aplicado, apesar de muito prometido.
- E funciona?
- Para isso, recomendo a V.Exa. que leve o magnífico PLADECO que acaba de adquirir a uma Mãe-de-Santo para que esta lhe lance os búzios.
- E funciona?
- Lance V.Exa. os búzios, que depois se verá. De certeza que eu nao conheço V.Exa.?
- Não!
Do Estado Corporativo ao Estado das Corporações - III
...vejamos alguns exemplos:A reestruturação do grupo GM na Europa levou a que sindicatos tão poderosos quanto o alemão IG Metall cedessem em reivindicações consideradas inegociáveis e talvez (os termos da negociação, como é evidente, não são públicos) não previstas nas leis gerais do trabalho. A alternativa seria a deslocalização, a consequente perda de empregos e baixa nos PIBs; ou seja, perda de riqueza.
A questão da criação dos medicamentos ditos "genéricos"; uma vitória do "welfare state" imposta aos poderosos grupos farmacêuticos por governos determinados, ou um genial golpe de marketing que cria mais mercado e oportunidade de lucro?
Estes exemplos são característicos da globalização. Dir-se-á que tudo isto é uma inevitabilidade, resultado das mudanças nas Sociedades, da inovação tecnológica, da investigação e desenvolvimento, da nova era da informação e da comunicação. Os Estados não têm nem o direito nem a obrigação de intervir. E pior, não têm meios para agir. Foi e será sempre assim. A Terra gira à volta do Sol, quer o Papa queira, quer não.
Mais complexo ainda é o que se passa com a nossa herança comum, por exemplo, o meio ambiente: quem tem o direito de decidir se os USA devem ratificar ou não o Protocolo de Kyoto? O lóbi americano da indústria? Ou o Governo? Ou os cidadãos em referendo? Ou as Nações Unidas - isto é, a população mundial -?
Os Governos de facto não criam as Leis da Física da Química ou da Biologia, mas podem regular as possíveis aplicações que advêm dos novos conhecimentos. A questão está simplesmente em constatar que a envolvente mudou, logo a Sociedade Organizada terá de encontrar novas soluções...
Terça-feira, Julho 05, 2005
Dicas para a Crise 2
Para os Ricos - Isto, das medidas, é só fumaça! Don't worry, be happy!Para os Remediados - Vendam o apartamento de férias ao vosso filho, com crédito bonificado ou sem ele, dá para uns tempos! Entretanto, criem uma empresa em nome individual, ponham a mulher como empregada, despeçam-na e mandem-na ao Fundo de Desemprego! E continuem a puxar pela cabecinha, que diabo! Isto tem de continuar a dar!
Para os Pobres - Bem, assim de repente... não sei... talvez... o melhor é passarem por cá, amanhã!
Do Estado Corporativo ao Estado das Corporações - II
A actual Constituição de 1976 não outorga qualquer papel especial aos interesses específicos - corporativos - da nossa sociedade. Limita-se a estabelecer princípos gerais reguladores para o execício do direito de associação.O povo é soberano, elege os seus deputados com base nos programas eleitorais propostos e estes, por sua vez, nomeiam e tutelam os Governos. O poder pertence ao Povo, não a pequenas fatias do mesmo.
Significa isto que os interesses corporativos já não têm relevância para a organização do Estado? Salazar, hoje, não criaria um Estado Corporativo? Não tenham dúvidas, criava, não um, mas dois. O primeiro semelhante ao que gizou em 33 e o segundo para atender (convenhamos que o homem tinha de ser inteligente) ao fenómeno da globalização. Só que este segundo modelo teria uma estrutura informal.
Estamos, neste particular momento, muito focalizados nos interesses/privilégios corporativos caseiros. Mas é um erro crasso esquecer os interesses mais gerais e difusos da economia sem fronteiras.
Como se movimentam então estes intereses? Às claras, pelo lobbying? Na sombra, pelo controlo dos partidos?
Qual o âmbito? Influência, sector a sector, na feitura das Leis ou na sua regulamentação e aplicação?
A minha perspectiva é bem mais pessimista. Os interesses já estão a actuar na própria definição da forma e organização dos estados.
Hoje parece não competir aos partidos políticos (os tais que representam, formalmente, a Sociedade em Organização) a própria definição do papel do Estado. As ideologias perderam força no confronto com a globalização...
Segunda-feira, Julho 04, 2005
O Samba-Canção do Lula

Eu peguei o copo
E o copo escorregou da mão
Caiu e partiu
Ao bater no chão
(repete)
Não sei o qui mamãe vai dizer
Quando vir o que eu fui fazer
Do copo
Ao bater no chão
(repete)
Sei que vou levar uma tampa
Eu sei
Sei que vou ficar de castigo
Eu sei
(segue refrão)
Mas eu não me importo
Porque eu não sou mau,
Mas eu não me importo
Porque eu não sou mau
(repete até à última gota)
Do Estado Corporativo ao Estado das Corporações - I

Se bem recordo da célebre cadeira OPAN (Organização Política e Administrativa da Nação), a constituição de 1933 criou o chamado Estado Corporativo. Isto é, para além dos três sectores tradicionais - executivo, legislativo e judicial - Salazar entendeu que as diversas corporações - profissionais como as ordens e os sindicatos, sectoriais como comércio, turismo e indústria - deveriam constituir uma espécie de órgão consultivo - a Câmara Corporativa -. A ideia era ter uma elite dirigente apoiada (em feixe ou "fascio") numa elite de interesses.
Esta era a teoria. A prática era outra. Salazar nunca dependeu de quaisquer consultores. Pura e simplesmente pensava, decidia e agia. Então, porque copiar o modelo Italiano e dar (na aparência) esta espécie de direitos aos representantes da Sociedade? Obviamente, para melhor os controlar e, sobretudo, para os veicular à sua política, sem estar formalmente obrigado, a aceitar quaisquer desvios ou concessões.
Acresce que esta forma organizativa criava a ideia - para o interior e, sobretudo para o exterior - de que o Estado era pluralista e participado, retirando assim, por exemplo, aos actos eleitoriais muito do peso que eles representam nas verdadeiras democracias.
Claro que esta nova ordem (a real, a que estava na cabeça do ditador) não se impôs no papel, isto é a Salazar não bastou pebliscitar a constituição para ser, de imediato, obedecido. O espírito corporativo era muito forte em Portugal, indisciplinado, arrogante, fragmentado e, sobretudo, politizado.
Salazar não negociou, não tentou dividir para reinar, não fomentou facções, etc. Ameaçou ir-se embora. Ou ele, ou o dilúvio. A constituição durou mais de 40 anos. Certamente que o dilúvio seria bem mais curto.
Domingo, Julho 03, 2005
Usos e Costumes - Fermentelos 1742

"Casamentos:
O noivo pedirá ele mesmo a mão da noiva aos pais ou tutores, em casa dos mesmos, num dia à noitinha, mas nunca depois do toque de sino às almas, e com oito dias, pelo menos, de antecedência aos pregões.
No dia do casamento, que será de preferência um domingo e à missa da terça, o noivo tendo reunido em sua casa os convidados, dirigir-se-á à sua mãe, dizendo-lhe: Adeus, senhora mãe, deite-me a sua benção. Em seguida dirigir-se-á ao seu pai, dizendo-lhe também: Adeus, senhor pai, deite-me a sua benção.
Encaminha-se o noivo com a sua gente, menos os pais, para a porta da noiva à qual baterá. E obtida de dentro a resposta dada pela noiva: quem está lá?, dir-lhe-á: é o teu bem amado que te vem buscar para te levar à igreja.
Nesta altura a noiva dirigi-se a seus pais e diz-lhes: está ali o meu bem amado que me vem buscar para me levar à igreja. Dão-me licença que eu vá? e os pais responderão: vai querida filha, e que Deus Nosso Senhor te faça muito feliz. [...]
Realizado o casamento na igreja, organizar-se-á o cortejo para a casa da noiva, lançando as pessoas amigas sobre ele lambarices secas, flores ou outra qualquer coisa a manifestar a sua alegria e contentamento [...]
Finda a função do jantar, afastar-se-ão os noivos um do outro, cada um para suas casas só se juntando daí a 8 dias. Durante esse tempo serão guardados e vigiados por suas famílias.
Tudo isto para os casamentos dum rapaz com uma rapariga séria e honesta. Para outros casamentos não se fixam praxes, aconselhando-se quanto mais secretos melhor."
Prof. Atur Vidal, in Fermentelos
Sábado, Julho 02, 2005
Sexta-feira, Julho 01, 2005
O Lucro

Na Terra das Fadas, o lucro é um pote cheio de ouro que aparece, por graça da Fada-Madrinha, no final de cada ano, para os duendes dividirem entre si, depois de deduzirem uma pequena parte para o Senhor da Floresta.
Na Terra das Bruxas, o lucro é uma folha A4, preparada pelo Grande Mago das Contas, que habilita os Bruxos a tornaram-se mais poderosos e a possuirem maiores riquezas, por isso, o Príncipe do Cavalo Branco os trespassa com a sua comprida Lança.
Na Terra dos Que Têm Olho, o lucro existe, mas os cegos não o vêem, por isso, tudo se reparte e nada se deduz.
Na Terra das Crianças, o lucro é o que se ganha na venda da limonada à porta de casa. Nada se reparte, tudo se gasta em chocolates e pastilhas.
Mas no Mundo Real, o lucro não é um fim. É um meio. Não cai do céu, não se forja no papel (por vezes sim, sempre não), não se esconde (pelo menos, no todo) e não se gasta em guloseimas. Porque o Lucro é preciso para sobreviver.
Porque no Mundo Real, o nome do jogo é: vencer a concorrência. E, sem resultados positivos, não se pode ganhar. Assim sendo Meus Senhores, porque tanta preocupação com os vencedores?
A Lança usai-a para os Que Têm Olho, as oportunidades e a ajuda dai-a aos que acreditam na Terra das Fadas e aos da Terra das Crianças, não lhes deis nem limões, nem açúcar, nem água.
Estatísticas...
De acordo com os jornais, o INE da Venezuela vai alterar as regras do cálculo do índice de pobreza.Presentemente, o índice é calculado da forma tradicional, isto é, comparando o rendimento dos cidadãos face ao preço de um cabaz de referência, cuja composição desconheço.
Suspeito que, por influências da Habana, o Sr. Hugo Chavez descobriu que esta fórmula é redutora e terceiromundista, pelo que o índice passará a chamar-se IBS (índice de bem-estar social) - reparem no requinte do pormenor da obliteração da palavra pobreza -. Assim, para o cálculo deste IBS entrarão variáveis tais como o acesso gratuito à educação e à saúde e posse de bens (talvez frigoríficos, TVs, etc?).
Certo é que com esta nova fórmula, a Venezuela vai dar, seguramente, um salto enorme no ranking, tudo graças ao bom desempenho das actuais Autoridades. Para estas, o importante não é que as pessoas tenham direito a progredir e arranjar dinheiro para comer. O que é importante é que o Estado lhes garanta a comida.
Estou a ver se me lembro, por cá, de algo parecido...assim tipo algo mínimo, mas garantido...mas não, impressão minha!
Imaginemos tal índice em Cuba; quão rico não será o cidadão Cubano possuidor de um espada americano dos anos 40 e 50 e que anda? Pelo menos o preço de um van Gogh...
Ora bem, chamo a atenção dos nossos políticos para esta medida que, a continuarmos assim, será muito útil digamos dentro de 4 anos. É uma questão só de mais ou menos intangíveis. Em caso de dúvidas, poderão sempre enviar uma delegação da AR para encontros bilaterais em Varadero.






